Como o Condicionamento e o Retrocondicionamento estão definindo a sua vida
Condicionamento e retrocondicionamento: como padrões repetidos definem suas escolhas, sua família e as próximas gerações, e o que dá para mudar a partir de hoje.
Condicionamento é viver sob influências que se repetem até virar hábito. Retrocondicionamento é quando esses hábitos passam de geração em geração e passam a parecer o normal.
O que é condicionamento
E se eu te contasse que tudo que você já fez em sua vida até agora teve um motivo? Que tudo que você vai fazer no futuro também tem um motivo… Que a vida do seu filho e do seu neto também tem?
Pois bem. Conheça o Condicionamento. Essa palavra define tudo que somos e vamos vir a ser em nossa existência. Afinal, tudo tem causa e efeito e toda ação tem uma reação.
A palavra condicionamento vem do latim conditionare, que significa estabelecer condições. E, através do francês conditionner, significa o ato de impor ou estar sob certas condições ou influências.
Sendo assim, entendemos que estar condicionado a algo é estar sob suas condições e influências.
E, desde o nosso primeiro dia de vida, estamos nos condicionando a algo, seja positivo ou negativo. Logo, quando temos plena consciência das influências sutis de nossa vida, podemos refletir se as queremos ou não. Com isso, podemos ter muito mais controle sobre o rumo que nossa vida está tomando.
Como o condicionamento se repete na vida
Imagine uma criança. Ela tem conexões neurais afloradas e aprende com tudo e todos. Tal criança vive em uma casa de pais alcoólatras, briguentos e rudes uns com os outros. Essa criança está assim como uma esponja, absorvendo inconscientemente padrões de como agir e reagir.
Com o passar dos anos, essa criança se torna uma adolescente. Na escola, maltrata e briga com seus colegas. Não tolera críticas e sempre xinga quando o outro não concorda com o ponto de vista dele.
E, acelerando ainda mais a linha do tempo, agora, esse adolescente se torna um adulto problemático. Para ele, tudo está ruim. Não entende por que a vida é tão difícil para ele. Tudo parece tramar contra. Nada dá certo. Relacionamentos sempre acabam em poucos meses (o que o faz recorrer a uma – e muitas vezes outras – cervejas), vive infeliz com seu trabalho e no trânsito sempre briga por qualquer motivo.
Se analisarmos esse cenário hipotético, podemos perceber pontos extremamente fundamentais.
Quando criança, o exemplo que tinha eram seus pais, que bebiam e eram briguentos. Na adolescência, descontava nos outros o que não suportava ter em casa. Brigava com os mais fracos, pois podia (diferentemente de sua casa, onde seu pai jamais o deixaria se sobressair). Na fase adulta, replicou exatamente os mesmos padrões dos pais (bebendo e descontando raiva nos outros). Tudo isso se explica com a nossa palavra magna: Condicionamento.
Ele viveu se condicionando a ser o que se tornou. Vamos relembrar que estar condicionado é estar sobre influências. E nós, seres humanos, vivemos 24 horas por dia sob influências externas: redes sociais, amigos, familiares e conhecidos.
Entendendo que estamos sempre sob influências, seria prudente compreender o condicionamento para não nos tornarmos mais um produto do meio. E, além do Condicionamento, compreender o Retrocondicionamento, sobre o qual a maioria de nós não está alerta (e que pode definir a sua vida, a dos seus filhos e netos).
Veja bem: tudo o que alimentamos, cresce. Na parábola nativa americana conhecida como a História dos Dois Lobos podemos perceber muito bem isso:
Um velho sábio estava ensinando seu neto sobre a vida e sobre a batalha constante que acontece dentro de cada um de nós. Essa luta é entre dois lobos: o que representa o mal (ódio, inveja, soberba) e o que representa o bem (amor, paz, generosidade). O neto, curioso, perguntou: “Vovô, qual lobo vai vencer?”. E o sábio avô respondeu de forma simples e direta: “Aquele que você alimentar.”
Se temos pensamentos negativos diariamente (reclamando do trânsito, do país, do preço, do vizinho, da família, e por assim adiante), nos tornamos aquilo.
Veja bem: você não é aquilo que pensa. Mas aquilo que pensa, você é.
Da mesma forma, se você tem pensamentos positivos diariamente (compreendendo que no trânsito há reações fora do seu controle, entendendo o que pode fazer sobre os problemas do dia, percebendo as virtudes daqueles que ainda não conhecemos muito bem, e por assim adiante), nos tornamos aquilo.
É bem lógico: quanto mais fazemos, mais nos tornamos. Essa é a beleza do condicionamento. Ela é muito prática! Quer um corpo forte? Treine regularmente. Quer um corpo gordo? Coma tudo regularmente. É uma simples lógica de A e B.
É impressionante o quão pouco pensamos sobre isso. Nas redes sociais, passamos horas nos condicionando a ter curta memória (vídeos de 30 segundos), a comparar (“ele tem isso e eu não”), julgar (“que coisa estranha”) e reclamar (“ele não faz o que eu quero”). Nos condicionamos a recompensas rápidas, disparos de dopamina e luz azul. Depois reclamamos que o outro está “se achando por ter comprado algo”. Reclamamos que as coisas são difíceis de entender. Reclamamos e apontamos para o meio externo. Porém, veja, assim como o lobo da história, você apenas optou por alimentar o que estava mais fácil no momento.
Ser uma pessoa do bem é difícil. Talvez bem mais do que ser uma pessoa do mal. Por isso nem todos tentam. Sim, é difícil no trânsito, após uma fechada e uma xingada, você se manter calmo. Sim, é difícil ir ao supermercado e ver um preço superfaturado enquanto não recebe o suficiente. Sim, o mundo tem muitos problemas e dificuldades.
Agora, como temos muitos problemas, há de pensarmos nas soluções. E o condicionamento é uma das principais chaves para as encontrar.
Estamos na cultura da supervalorização do parecer e da superficialidade. Parecer legal, rico, forte, saudável, bem-sucedido. Estamos literalmente condicionando a sociedade a valorizar o que é mais barulhento. O que sabe mostrar mais. O que aparece mais. E depois reclamamos que não encontramos um(a) parceiro(a) amoroso(a). Estamos literalmente condicionando nossa sociedade a valorizar superficialidade e depois queremos cobrar profundidade. A conta não fecha.
O mundo está cada vez mais polarizado; isso é muito evidente. Agora, já se perguntou o porquê? (e não se trata apenas de política ou de valores).
A sociedade é um reflexo do que vê. Assim como um espelho, se olhamos alguém que respeitamos, nos portamos de maneira respeitosa. Se olhamos alguém inseguro, nos portamos de maneira insegura.
A polarização não é apenas sobre valores. É sobre pertencimento. Desde nossa época de caçadores-coletores, nos condicionamos a caçar em conjunto para ter melhores chances de sobrevivência. Isso continuou (o que veremos posteriormente como Retrocondicionamento). Não paramos para refletir profundamente como sociedade que estamos seguindo condicionamentos milenares sem questionar.
A polarização é sobre o meu grupo pensar assim como eu. Está em estar junto de pessoas que o fazem sentir melhor enquanto o mundo está em caos. Uma igreja, um time de futebol, uma escola, um partido político… tudo segue a mesma lógica: queremos ficar perto daqueles que pensam como nós. E isso não tem nada de errado. O problema está quando nos condicionamos a competir uns contra outros. Quem disse que um time de futebol não pode se dar bem com o outro? Nós. Sim. Nos condicionamos a isso. Quem disse que uma religião é melhor que a outra? Exatamente… nós! E por assim vai.
Condicionamento é uma consequência. Ela pode ser positiva ou negativa. Posso me condicionar a ler bons textos, escutar boas músicas (com letras que elevam seu astral e não ficam repetindo várias vezes termos vulgares – pois sim, você vai acabar captando inconscientemente aquilo), bons filmes e séries (e não só violência, que é o que costuma viralizar). Há uma escolha. E toda escolha tem sua consequência (inclusive não escolher já é uma escolha). Você pode optar por alimentar o lobo do bem ou do mal.
E existe o Recondicionamento, em que podemos recondicionar o que previamente nos condicionamos. Logo, se é uma pessoa que só escuta música que incita baixas vibrações, pode se recondicionar ao escutar músicas de altas vibrações. É bem lógico e simples. Quer mudar as circunstâncias (e consequências) da sua vida? Re-condicione.
E o Retrocondicionamento?
E o que é retrocondicionamento?
A própria sociedade se retro-condiciona em diversos momentos, e isso aumenta cada vez mais a própria condição do ser humano. Ou seja, vira parte da personalidade da pessoa e repassa em próximas gerações por um alienamento consciente e inconsciente em vão de uma não reflexão sobre a condição.
Em termos simples: já viu aquele pai carrancudo, que o pai dele o bateu e maltratou, que depois repete o mesmo padrão em seu filho? Ou aquele bêbado que tinha um pai bêbado e que repete o mesmo padrão que tanto detestava em seu pai? Ou aquela cidade que, com os anos, se torna mais perigosa e hostil? Ou até mesmo aquele país que melhora cada vez mais ao passar das décadas (sim, boas coisas também estão dentro).
Isso que é o retrocondicionamento. Quando passamos por gerações de condicionamentos tão repetidos que viram parte da nossa criação (sejam eles positivos ou negativos).
Por que nos ensinam desde pequeno que homem não chora? Que homem tem que sofrer e aturar? Porque isso nos foi retrocondicionado. Não há nada físico que defina muitas das nossas crenças. Tudo se dá por uma sequência de condicionamentos que, com o tempo, viram retrocondicionamentos.
O grande problema está em repetir ações com as quais não concordamos, simplesmente por achar que é o que devemos fazer. O grande problema está em não refletir sobre o que fazemos e depois reclamar do resultado.
Nada adianta plantar um cacto e esperar que cresça uma flor. Novamente, tudo é muito lógico. A e B.
Muitas vezes repetimos padrões não porque concordamos, mas porque é o que conhecemos. Temos medo do desconhecido (novamente, por um retrocondicionamento dos nossos ancestrais, que precisavam ficar alertas para o desconhecido, pois tudo poderia significar morte). O desconforto de fazer diferente pode ser radical demais para alguns. Porém, o preço que se paga por não fazer diferente é muito maior (para você e para os outros).
O ser humano é mestre em transmitir energia. Se está perto de alguém feliz, você vai acabar se tornando feliz. Igualmente, estando perto de alguém que só reclama, você vai acabar reclamando. É bem prático para observar isso: assista a vários vídeos e lives de certos influenciadores e você irá falar gírias como ele, se portar como ele. O ser humano é muito influenciado e influenciador. Transmitimos energia diariamente. Aquele cara “boa energia” transmite ao outro aquilo. Por isso é bom ficar perto de gente positiva. Se passar o dia perto de alguém que é triste e reclamão, você vai chegar no fim do dia falando que está “sem energia social”. É claro, existem e sempre existirão pessoas fonte e pessoas ralo. Há quem vá colocar energia e quem vá sugá-la. Escolha quem deseja ser.
Aqui agora vem um ponto ainda mais polêmico para uma sociedade moderna como a nossa:
Escutar e falar de boas coisas. É quase repugnante para alguns que alguém venha falar de ser um ser humano melhor em nosso meio supermaterialista (que significa: valorizar mais a forma do que a essência. É como achar que a latinha do refrigerante tem mais valor que o líquido em si, só porque é o que você vê primeiro). Ficamos entediados quando alguém vem falar da importância de termos bons pensamentos. Mas sabe por quê? (Agora você já deve saber, espero eu). Sim, condicionamento e retrocondicionamento. Tudo volta a isso. O que valorizamos e o que desprezamos quase sempre está ligado aos 2 termos que estamos explorando aqui juntos.
E quando digo que somos o que consumimos, significa que: se eu como todo dia fast-food, ficarei gordo (assim como eu já fui, chegando a mais de 124kg aos 20 anos de idade). E, se eu comer todo dia bons alimentos, ficarei magro (assim como também escolhi, o que me auxiliou a perder mais de 48kg de forma natural). Consumir está ligado a digerir. E a digestão leva tempo. E o tempo para nós (que condicionamos a isso, como já vimos) é muito imediato, então achamos que 6 anos para emagrecer é muito, por isso preferimos não fazer. Achamos que 10 anos para ter uma boa condição financeira é muito, por isso reclamamos do meio em vez de tomar ação. Achamos que uma amizade que não concorda comigo é descartável, por isso perdemos amigos toda hora. Estamos condicionando uma sociedade cada vez mais superficial. Mas não precisa ser assim. Há uma escolha. A sua escolha.
O que fazer com isso a partir de hoje
Agora deve ter percebido que sua vida inteira foi condicionada e retrocondicionada. Então, a partir de hoje você tem novas oportunidades nessa grande aventura chamada vida. Agora é com você.
Sua sequência de presença aparece aqui ao visitar o site.
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Artigo original de Arthur Cunha Souza Lima. © 2026 Arthur Cunha Souza Lima. Publicado em SER | Desenvolvimento Pessoal.