A Cultura do Desespero: como as pessoas estão se sabotando e adoecendo em busca de uma ilusão

Estamos vivendo a Cultura do Desespero: a maneira atual em que as pessoas estão se sabotando e adoecendo em busca de uma ilusão.

· 4 min de leitura · Arthur Lima

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Já percebeu que a cada dia as pessoas ao seu lado estão mais ansiosas? Uma ansiedade não comum há poucos anos atrás. Algo tão forte que se transforma em impaciência até chegar ao completo e total desespero.

Estamos vivendo a Cultura do Desespero: a maneira atual em que as pessoas estão se sabotando e adoecendo em busca de uma ilusão.

Vamos adentrar no conceito e mostrar na prática por que isso está acontecendo e como podemos mudar isso.

Primeiramente, é importante ressaltar que a ansiedade exacerbada é apenas mais um reflexo do efeito das redes sociais em excesso.

Assistir a vídeos de 1 minuto repetidas vezes reforça neurologicamente um comando como: “Okay, cérebro, eu consigo absorver 1 minuto de conteúdo superficial por vez”. Ao prolongar esse comportamento por horas, dias e até anos, condicionamo-nos a ter mais ansiedade, menos memória e paciência.

Afinal, se nos condicionamos a ver vídeos de poucos segundos, quando diante de uma situação em que precisamos de horas de foco, nossa tendência recondicionada (não natural) é divagar e buscar uma recompensa (seja abrindo novamente a rede social ou procrastinando).

O grande problema não está na ansiedade e nem na impaciência, mas sim no desespero que está crescendo entre nós, humanos.

A cada dia buscamos recompensas rápidas ou atalhos. Seja para ficar rico, seja para perder peso. E nosso meio está repetidamente nos apresentando propostas para ficarmos ricos e perdermos peso em poucos dias.

E, novamente, ao condicionar essa proposta, passamos a acreditar que isso é o normal; logo, ficamos desesperados.

O desespero gera frustração. A vida fica mais sofrida, pois nos acostumamos à dopamina da pior qualidade e a passar longe de conversas profundas (afinal, parecem tediosas e complexas demais – e, como nos acostumamos com vídeos curtos e simples, essas conversas profundas nos chateiam e nos fazem voltar para a caverna da obscuridade).

A Cultura do Desespero é literalmente um reflexo, pois não é a forma completa. Afinal, ao olhar para um lago, você verá seu reflexo; porém, aquela imagem não é a representação completa do que você é.

Então há soluções para isso. A tendência inicial é de aumentar o número de casos de ansiedade e depressão, porém, em um médio a longo prazo, vamos voltar a nos interessar pela profundidade da vida.

Assim funciona a vida: pelo contraste. Precisamos nos “afundar” para valorizar o real. E, em uma cultura que menospreza o profundo para valorizar o superficial, não vai demorar para compreendermos que o desespero é uma sabotagem do pior tipo (daquela que fazemos a nós mesmos).

Rede social e internet não são problemas! Muito pelo contrário! Utilizadas com propósito, nos alavancam em todos os âmbitos da vida. Podemos aprender com qualquer pessoa de qualquer lugar, nos comunicar e muito mais em poucas semanas. É incrível o que a tecnologia pode fazer por nós. Então não é deixar de consumir, mas sim, melhorar a fonte do consumo.

Em vez de ver vídeos de dopamina barata, veja conteúdos que despertam sua curiosidade (seja um vídeo de como funciona o Universo, as galáxias, Filosofia, ou até mesmo um vídeo da história dos dinossauros... o importante é consumir cada vez mais um “conteúdo digital fit”, em vez de conteúdos digitais com gorduras, que nos fazem sentir bem na hora, mas, no longo prazo, só nos prejudicam.

O excesso da rede social é comparado ao excesso do cigarro. Talvez ainda pior, pois pode ser utilizada por qualquer um em qualquer momento, então se torna um vício. E a Cultura do Desespero cria pessoas desesperadas e frustradas, pois acham que precisam ter o corpo ideal em meses, que estão velhas demais, que não são capazes, que o outro é melhor que elas e por aí vai. Há uma comparação tóxica em excesso (sendo que nenhuma comparação é justa, pois cada um é diferente do outro – outra vivência, outra história, outro contexto). Então o que o outro tem, você pode não ter, assim como o que você tem o outro pode não ter. E não é uma corrida por quem tem mais. Essa compreensão por si própria já poderia ajudar milhares de pessoas a viverem uma vida mais leve.

Então a Cultura do Desespero é um alerta para compreendermos o que estamos consumindo e para onde estamos indo. Afinal, estamos sempre em movimento, seja para o melhor ou pior.

E, por podermos ter tanta “alta performance” na vida, achamos que precisamos ter mais e mais a cada dia, gerando ainda mais frustração e desespero.

Então respire. Respire calmamente e veja que a vida não é só produzir mais. E que o desespero é uma sabotagem que nos adoece em busca de uma ilusão. Busque viver e não apenas sobreviver. Há muito mais na vida do que isso!

Arthur Lima

Sobre o autor

Arthur Lima

Ser Evolutivo. Publicitário (PUC-MG) e Filósofo. Fundador XTQ.com.br // Canal Marketing Autêntico. Em uma missão de trazer mais tempo e vida para as pessoas.

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